14 dezembro 2020

A prioridade é derrotar os representantes de Bolsonaro na Câmara e Senado

É necessário definir qual a principal tarefa da esquerda neste momento: derrotar a ameaça fascista representada pelo presidente Bolsonaro e sua equipe.


Desde domingo (6/12), quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu barrar a possibilidade de recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e de Davi Alcolumbre (DEM-AP), respectivamente, à presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, que as negociações entre os partidos se intensificaram e a equipe de Bolsonaro entrou no jogo com a “caneta na mão”.


Apesar da eleição para definir o comando das casas no biênio 2021/2020, só ocorrer no dia 1º de fevereiro. Nesta quarta (9), o líder do Progressistas (PP), deputado Arthur Lira (AL), anunciou, oficialmente, sua candidatura à Presidência da Câmara dos Deputados. Ele tem o apoio declarado do presidente Jair Bolsonaro e, além do PP, de pelo menos outros sete partidos: PL, PSD, Solidariedade, Patriota, Avante, Pros e PSC, reunindo 160 deputados. O deputado construiu seus apoios nos moldes clássicos da política, entregando espaços e recursos do governo federal para aliados em troca de apoio na Câmara.


Também, nesta quarta, um novo bloco de partidos de direita foi anunciado para 2021: DEM, PSL, MDB, PSDB, Cidadania e PV, reunindo o apoio de 147 deputados, no qual se juntam a Maia numa candidatura à presidência da Câmara. Neste “jogo” temos o PTB com 11 deputados que ainda não definiu seu apoio e os partidos de esquerda, como PT, PSB, PDT, PCdoB e PSOL, que somam hoje 132 deputados e podem desequilibrar a disputa.


A esquerda, portanto, não reúne parlamentares suficientes para eleger, sozinha, os presidentes da Câmara e do Senado ou aprovar o impeachment de Bolsonaro ou uma emenda à Constituição. Nessa eleição, só há duas alternativas para a esquerda: ou compor com algum candidato de um dos dois blocos da direita ou apresentar candidatura própria apenas para marcar posição.


Antes da tomada de decisão, é necessário definir qual a principal tarefa da esquerda neste momento: derrotar a ameaça fascista representada pelo presidente Bolsonaro e sua equipe. Não importa se os partidos de esquerda almejam o comunismo, o socialismo, a socialdemocracia ou o capitalismo humanizado e ambientalmente sustentável. Nenhum terá êxito se o projeto de Bolsonaro continuar ocupando espaços, especialmente no parlamento. Esse projeto visa destruir as instituições democráticas, exterminar a oposição e impor um regime autoritário e fundamentalista. Assim, as políticas neoliberais terão via livre para se impor sem resistência e o capitalismo se fortalecerá com seus aspectos mais cruéis.


Então, o bloco de esquerda deixa de ter duas alternativas e passa a ter uma única: aliar-se ao candidato da direita que assuma claramente uma postura contra Bolsonaro e, adicionalmente, se comprometa a incluir na pauta legislativa as matérias de “defesa dos interesses dos trabalhadores”, como o veto as privatizações e não votação da autonomia do Banco Central.


;A esquerda não deve marcar posição apenas para agradar sua bolha eleitoral. É melhor apoiar um candidato para Câmara e Senado que não esteja com Bolsonaro, mesmo do bloco de direita, pois independentemente da posição política da esquerda, as pautas liberais serão votadas e com maioria suficiente para serem aprovadas, mas as pautas conservadoras, fundamentalistas e antidemocráticas, que violem direitos humanos e a diversidade, terão resistência ou serão barradas pela própria mesa diretora, diferentemente do presidente das duas casas alinhadas ao Bolsonaro.


Então, nesses últimos dias, as falas de apoio aos candidatos de Bolsonaro de alguns parlamentares do PSB, na busca de apoio interno no Congresso, cargos em comissões e na mesa diretora, são verdadeiros atentados a qualquer movimento para derrotar Bolsonaro nas eleições de 2022, pelo contrário, estará dando condições para fortalecer o projeto fascista, antidemocrático e de retiradas de direitos.

Por *Ermes Costa (PT)

* Ermes Costa é Petista, Professor da UPE, Engenheiro da COMPESA, Conselheiro Deliberativo da COMPESAPREV