16 novembro 2016

A política continua ou acabou na última eleição?

(Imagem captada no Google Imagens)
Para alguns a política é uma coisa passageira e que só acontece apenas em época de eleição para os cargos de vereadores e prefeitos, ou para cargos maiores como os de deputados, governadores, senadores e presidentes. E, por alguma razão, depois que as eleições passam uma parcela de pessoas tendem à relaxar e esquecer de uma hora para outra de todos os problemas que aparecem em período de disputa eleitoral.

Saúde, transporte, educação, segurança, dinheiro público, etc... para uma boa parte de eleitores manobrados só tendem à ter importância quando estão à defender seus candidatos. Depois do dia 2 de outubro quando finalmente seus escolhidos são eleitos (ou não) os defensores de determinados partidos, ou cores políticas, tendem à dizer que: "a política já passou, gente, vamos parar com isso!". São as pessoas que eu chamo de acomodados políticos. Outros chamam tais pessoas de ratos da política (ainda não sei por que usar este termo, mas usam).

Cruzando os braços a maioria das pessoas (em torno de 70 ou 85 por cento dos cidadãos) parecem anestesiarem-se. Educação, Saúde, Transporte, Segurança, etc... são artigos que merecem ser esquecidos, depois que passa a eleição.

Fulano foi eleito, à partir do dia 1º do ano que vem ele assume e "as coisas vão melhorar". E aí o novo eleito ou eleita assume e assim como seu antecessor, tende à cometer os mesmos erros administrativa e politicamente falando. 

Já no primeiro mês do ano administrativo vê-se as mesmas caras em cargos repetidos, ou quando não, existe algum tipo de permuta. Os que são das cidades vizinhas passam à trabalhar na outra cidade em que o novo gestor foi eleito e assim uns saem de um município para outro numa rotatividade eterna. Ou seja, nada mudou e por uma longa data, tende à não mudar.

E a culpa desse circulo vicioso é de quem? Alguns dirão que é do político eleito, dos vereadores ou dos prefeitos, que segundo ditado popular, "são todos farinhas do mesmo saco!". Mas engana-se quem pensa que a culpa é deles, dos eleitos. Muito pelo contrário! Eles, os políticos eleitos, representam em gênero, número e grau seu eleitorado. Ou seja, aqueles que votaram, seja por paixão, desconhecimento ou por dinheiro são os responsáveis pelos diversos problemas que uma cidade pequena, principalmente do interior, enfrenta há anos seguidos.

É bem verdade que antes da política de fato os candidatos para serem eleitos fazem acordos, (não são todos, porém, os mais agressivos financeiramente) os mais escusos possíveis, para conquistarem a vaga à qual candidatam-se. Alguns desses acordos com fins criminosos envolvendo desde o crime mais simples ao mais escabroso são feitos, meses antes. Tudo pelo poder! Porém, não é menos verdade que o eleitor que não pensa, não vasculha, não pergunta (os políticos adoram o povo não pensante) votam no vereador X ou Y, ou no prefeito Z, por que acham-no simpático, ou por que eles lhe conseguiu cinquenta reais ou uma sexta básica (neste ultimo ano de eleição o que teve de cesta básica distribuída não está na história e como não existe propositalmente fiscalização eles fizeram à torto e á direita o que acharam por bem fazer, confiando na impunidade) e, segundo estes pobres não pensantes, "tanto faz quem foi o eleito" e ainda afirmam que "nada mudará, são todos do mesmo jeito". 

Em suma, neste imenso círculo vicioso, vamos vendo anos após anos cidades sendo saqueadas, legalmente, por ladrões de legalizados, à custa de um povo que igualmente é corrompido, embriagado, iludido dia e noite. Uma maioria que dá à minoria eleita o poder de decisão, por eles, e calam-se por longos anos, não mudando a realidade à sua volta.

Enquanto isso a violência generaliza-se e toma conta das cidades. Cidadãos são compelidos à fecharem suas portas mais cedo com medo dos bandidos que estão soltos, fazendo o que querem fazer. Já que quando são presos por crimes comprovados a justiça de alguma forma os libera, voltando eles à fazerem pior do que faziam antes.

O Prefeito, o Vereador, o Deputado, o Senador, o Governador, o Presidente eleitos são, apenas eles, os corruptos? Lêdo engano! O eleitor que vota por dinheiro, que vota por um afago, por uma lapadinha (essa palavra vai dar o que falar pelos próximos 4 anos) de cachaça, por uma conta paga ou por que fulano bancou-lhe enquanto ele estava candidato é tão corrupto quanto àqueles que passam à receber carta branca para gerenciar altas somas em dinheiro, roubando do erário público, com uma procuração dada à eles por insanos que receberam quantias e riram (principalmente nas redes sociais) daqueles que não votam por dinheiro, e depois passam (passarão) à chorar por estarem sem emprego, sem saúde, sem segurança, sem lar, e acima de tudo, sem dignidade.

O primeiro corrupto, antes do político desonesto é o cidadão que aceita, como muitos tem aceitado (felizmente não são todos, existe uma outra parcela que não aceita entrar na mesma lama) ser comprado, vendendo seu voto, aceitando migalhas, dando poder à seus iguais que roubarão, desviarão verbas do erário, e poderão até matar ou mandar matar para não perderem a "boquinha fácil" do poder.

E assim, ano após anos, de eleição à eleição, se o povo não despertar, nada mudará.

Porém, para a felicidade daqueles que acreditam que as pessoas podem mudar, ainda que lentamente, algumas cidades já estão começando à alterar alguns cenários políticos, mesmo pagando um alto o preço, mas estão fazendo sua parte, contribuindo com o progresso como deve ser.

Na pequena cidade de Quixabá, interior de Pernambuco, eleitores reelegeram Antonio Ramos da Silva, de 69 anos, ao cargo de vereador (acesse e confira aqui). Silva, como é conhecido, se elegeu prefeito em 1992. Até então, a cidade só tinha escolas caindo aos pedaços e professoras sem diploma. Tudo mudou. A educação chegou a receber 37% do orçamento municipal, acima do piso constitucional de 25%. “Fiz tanto pela educação porque sempre senti na pele o quanto ela faz falta”, afirmou ele.

Parece um milagre no meio politico, um analfabeto fazer muito mais pela educação do que um prefeito ou vereador "letrado". Mas não tem nada de milagre. Existe, neste caso, compromisso, que em muitos casos não vemos em vereadores e prefeitos eleitos que são formados, com bacharelado em economia, etc... Quantos comerciantes e empresários entram para o ramo da política e nada temos de melhoria em diversos setores públicos? Enquanto a cidade entra em estado de falência, quase, suas empresas, milagrosamente passam do vermelho para o azul ou verde em tempo record, num contraste economicamente incrível. Por alguma razão, na receita da empresa particular passa à circular a mesma quantia de dinheiro que, desde que aquele empresário assumiu o cargo executivo, deixou de existir nas contas públicas. Mas como não tem investigação, não tem crime, logo, o roubo legal é permitido aos cofres públicos. 

Em 2017 estaremos entrando para o ano das arrumações políticas para as eleições de 2018, em que os cargos de Governadores de todos os estados, deputados estaduais e federais, senadores e presidente serão a "bola da vez". Em plena era da informação rápida na palma da mão, ainda corremos um sério risco de vermos nossos irmãos, cidadãos, fazerem a opção pelo voto errado por mera preguiça, comodismo ou pelo dinheiro fácil em seus bolsos em dado momento!

Mas, quem sabe, a culpa deve ser do CABRAL no início de nosso Brasil, não nossa. Ou seja de Adão e Eva do conto bíblico no começo da humanidade. De qualquer forma, para progredirmos muitos passos cansados teremos que dar, até chegarmos à algum lugar. Individualmente, alguns de nós conseguiremos. Coletivamente, chegaremos lá, qualquer dia desses!

(Imagem captada no Google Imagens)