16 março 2018

Para seguidores de Messias Bolsonaro a Vereadora Marielle mereceu morrer da forma que morreu.

Você sabe o que é ou o que significa empatia? Em termos simples significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

No espiritismo, encontramos citações, baseadas no evangelho de Jesus, pedindo-nos para nos colocar sempre no lugar do outro, de maneira à sentir sua dor, não entrando em sua sintonia literalmente, mas sentir-se como tal, procurando de alguma forma agir à favor do próximo, transformando-o e reformando-se, na medida de possível.

Em todos os seguimentos religiosos que eu tenho prazer de conhecer, encontramos citações de lideranças religiosas nos pedindo para que "troquemos de lugar com a outra pessoa" ao ponto de não apenas sentir sua dor, mas que haja amor cristão para que possamos mutuamente nos ajudar.

Ações simples como estas, transforma vidas, pouco à pouco, e igualmente pouco à pouco, vamos transformando o mundo à nosso redor, num crescente, ao ponto de alterarmos a triste realidade que nos afeta imediatamente.

Colocar-se no lugar do outro também é abrir uma página, um blog como este e expor ideias na intenção de que a pessoa do outro lado da tela possa compreender que as coisas, apesar de ruins e pesadas, podem mudar, se cada um fizer sua parte.

Há empatia quando alguém se engaja em certas lutas, as vezes até inglórias, em busca de respeito, atenção, solidariedade, seja num ato público em que se pede algo à favor de uma cidade, de um país, de uma comunidade, seja à favor de uma ideia nova à ser implantada numa sociedade, enfim, quando luta-se por direitos, as vezes tão difíceis de serem conquistados. E para que certos direitos sejam alcançados alguém de alguma forma tem que ter peito para fazer a coisa acontecer, descruzando os braços.

Geralmente as pessoas que mais fazem o bem em seu verdadeiro significado são as mais exploradas, espezinhadas, amesquinhadas e marginalizadas. Não sei se vocês já pararam para pensar, mas (hoje, estou assim, pensativo e triste) independente do que aconteceu ontem no Rio de Janeiro estamos vendo a triste realidade não apenas daquele como também de outros estados, outros lugares, seja nas capitais ou nas cidades interioranas. Aqueles que lutam por melhorias são descriminados categoricamente.

Mas o que mais dói, não é saber que os que são espezinhados o são por "gente da alta", os senhores das leis e dos fundos financeiros. Boa parte dos algozes de quem luta por direitos iguais, nos tempos atuais, são pessoas comuns, negros ou brancos, homens ou mulheres, residentes em cidades pequenas ou grandes, senhores e senhoras igrejeiras, religiosos que com seu ódio, incitam mais veneno à partir de suas redes sociais não respeitando a dor alheia, buscando motivos para contrapor a realidade: uma mulher, negra, foi morta. Mais uma!

Em algumas redes sociais que participo tenho encontrado evangélicas e evangélicos, seguidores ferrenhos de Bolsonaro, pré-candidato á Presidente do Brasil, que acreditam e gritam (escrevendo em caixa alta) que o que aconteceu com a Vereadora do Rio foi merecido, já que, segundo suas "pesquisas" a mesma era defensora de bandidos. E eles afirmam que toda a luta da Marirlle não era em defesa dos direitos humanos. Acusam a Vereadora de a mesma estar agindo contra os Policiais Militares do Rio de Janeiro, assim como também afirmam que a mesma protegia os bandidos das favelas que a elegeu. Mas, será que as coisas são tão simples assim?

Depois que matam agora zombam covardemente daquela que antes tinha a voz para os seus. Não basta matar, tem que humilhar, descredibilizar, envergonhar, mostrar à todo mundo que a defensora dos direitos humanos e vereadora defendia bandidos, favelados, marginais...


Uma evangélica, "instruída", usando de suas redes sociais, apoiadora de Jair Bolsonaro, e pregadora contínua do ódio contra Lula, Pt e todos os pertencentes de movimentos de esquerda, inclusive o PSOL de Marielle, disse que "essa vereadora mereceu passar pelo que passou, ela defendia bandidos e lutava contra os policiais militares que são homens de bem e que trabalham para proteger a sociedade das pessoas que ela defendia".

Em conversa, procurei entender seu ponto de vista, tentando e alguma forma argumentar, para vê se nos entendiamos, e a mesma, disse que: para resolver tudo isso "só botando Bolsonaro na presidência e todos esses Petralhas vão ver o que é bom pra tosse. Precisamos acabar com essa praga chamada esquerda no pais".

Em momento algum foi aceita a tese de que as denúncias que a vereadora estava empenhada em fazer não era contra os PM's, no geral, e sim, contra a banda podre existente dentro a Polícia Militar do Rio de Janeiro, conforme pode-se ver em diversas reportagens e tablóides do país. O que, por sua vez, não vem de hoje e não acontece apenas no Rio, outros estados também encontra-se essa mesma balança.

Fiquei pensando: o que essa mulher faz na igreja? O que ela tem na cabeça? E o que é pior: por que essa mulher que também é negra não parou para analisar, nem por um minuto que a luta da vereadora era também por mulheres como ela?

Há tanta raiva nessas pessoas que seguem enlouquecidamente Bolsonaro, que se não tivermos tato para conversar com eles ou elas, poderemos ser apedrejados literalmente em nome de sua fé cega, no novo Messias.

Um outro apoiador do mesmo Messias Bolsonaro usando as redes sociais que igualmente participo expõe sua ideia dizendo que "já que a vereadora era contra a intervenção, recebeu o que merecia". Ele ainda afirma que a legisladora apoiava bandidos e queria a liberação das drogas. Ainda afirma que ela era á favor de marginais, traficantes das favelas, contra PM's entre outras citações já conhecidas.

O detalhe que liga o internauta no Facebook com a integrante de um dos grupos que participo no Whatsapp é que as duas pessoas são integrantes de movimentos religiosos e seguidores do mesmo Messias, Bolsonaro.

Para eles e alguns outros que seguem a mesma linha de pensamento, os fins justificam os meios. E não importa a forma como ou por que aconteceu, o que interessa é que Marielle recebeu o que merecia: foi baleada e morta com quatro tiros. O motorista, que também morreu na mesma ação, deve ter merecido também morrer como morreu!

O sentimento dessas pessoas engessaram de tal forma que é impossível ver algum resquício do Jesus que elas dizem amar e conhecer.

Enquanto o Cristo pregava amor e solidariedade entre os povos e respeito á todos indistintamente os seguidores do novo Messias, Bolsonaro, rasgam ódio, rancor, desejo de morte, desejo de sangue, contra seus irmãos que não estão inseridos em seus círculos religiosos e/ou político.