15 março 2018

Intervenção no Rio de Janeiro não salvou a vida da Vereadora Marielle que foi sumariamente executada.

Ela era negra, de esquerda, do Psol. Líder em uma das maiores comunidades pobres do Rio – a Maré, um aglomerado de 16 favelas espremidas entre a Linha Vermelha e a avenida Brasil onde moram 130 mil pessoas. Marielle foi a quinta mais votada entre os 51 vereadores eleitos na cidade em 2016. Recebeu 46,5 mil votos logo na primeira eleição que disputou. Usava o mandato para denunciar a violência policial e para cuidar dos interesses e preocupações de mulheres negras como ela.

Eleita pelo PSOL, a socióloga pós-graduada em administração pública acabara de ser nomeada relatora da comissão da Câmara Municipal que deveria fiscalizar a intervenção militar na segurança do estado do Rio. Não teve chance de cumprir a missão.

Por denunciar, por se fazer portadora da voz do povo, de sua gente, de sua comunidade, Marielle, mulher e negra de esquerda, recebeu como premio por sua luta e coragem, quatro tiros que a levou à morte.

A polícia suspeita... de quê mesmo? De uma coisa temos plena certeza e que isso fique bem claro, não foi a comunidade e nem qualquer pessoa da comunidade que a matou ou tenha mandado matar. 
Há fortes suspeitas de que a vereadora estava sendo seguida, já, há pelo menos 4 quilômetros antes de seu trágico assassinado.

Vereadora da cidade do Rio de Janeiro, Marielle fazia o que certamente poucas mulheres tinham coragem e/ou vontade. Denunciava a violência policial, que, segundo outros tablóides tinha como marca maior o trato, algumas vezes desumanos, com homens negros, mas principalmente, mulheres negras. Coincidentemente a violência que levou Marielle à morte deveria ser cuidada pelo exército brasileiro instalado no Rio de Janeiro, liberado pelas mãos do então Presidente da República, Michel Temer, mesmo partido político do Governador do estado.

Não por acaso a intervenção que devia ampliar a segurança, não conseguiu assegurar a vida da vereadora do Rio de Janeiro. Com o assassinato monopolizando o noticiário e ameaçando a popularidade da intervenção militar no Rio, políticos e governantes se apressaram em lamentar a morte da vereadora do PSOL, decretar luto oficial e prometer a solução do crime. As circunstâncias indicam um homicídio premeditado: o atirador sabia exatamente onde mirar para atingir Marielle, apesar de os vidros do Agile estarem fechados e serem escurecidos por uma película colante. Isso sugere que o carro onde estava o atirador seguiu o da vereadora talvez desde a Lapa, onde ela embarcara após participar de um evento com outras mulheres.

Porém, não há registro de que Marielle viesse sofrendo ameaças. Seus companheiros de partido fizeram questão de repetir isso em entrevistas ao longo da noite, argumentando que se ela tivesse sido ameaçada o PSOL teria denunciado, como forma de proteção. Qual teria sido, então, a motivação dos assassinos? Por ora, não há respostas, só especulações. 

Quatro dias antes de ser morta, a vereadora denunciara o assassinato de dois jovens em Acari, na Zona Norte do Rio. Em post no Facebook, afirmou que o batalhão da Polícia Militar que atua na região é conhecido como “batalhão da morte”. Pode ser uma pista, mas não é uma prova.

De tudo isto, tem-se a plena certeza de que este crime contra a Vereadora pelo PSOL, Negra e de esquerda, não conseguiu ser apenas mais um para as estatísticas. Tudo foi premeditado, passo à passo. E o resultado é o que estamos vendo hoje.