24 maio 2017

ED Bate-papo com a FAMILIA ANIMAL

"A vida é um processo fluente e em alguns lugares do caminho coisas desagradáveis ocorrerão. Podem deixar cicatrizes, mas a vida continua a fluir. É como a água fluente, que ao estagnar-se, torna-se podre; não pare!Bruce Lee.

As cidades de Barreiros e São José da Coroa Grande tem conhecido por estes últimos anos um casal de karatekas que, com sua arte e seu comportamento tem influenciado positivamente os jovens destas cidades.

Aproveitando uma oportunidade de conversa com o casal Haissa e Flavio, conhecidos como FAMILIA ANIMAL, travamos um pequeno bate-papo que trouxe à este blog com o fim de fazer conhecer estas duas pessoas humanas, por trás dos professores de artes maciais.

A prática saudável do Karatê, tem salvado jovens e adolescentes de outros caminhos, fazendo-os trilhar novos horizontes em busca da transformação interior, tornando-se, acima de tudo, cidadãos.

Nossa conversa deu-se via Chat no Whatsapp e é o que está exposto, com a permissão deles, Haissa e Flávio, abaixo.



O que motivou vocês a praticarem Karaté? Dizem que uma grande maioria dos que entram às portas das artes maciais eram brigões. Isso tem algum fundamento?

Flavio Barros: ⁠⁠⁠Não, sempre fui muito tranquilo, sempre fugi de brigas, odeio discussão. Eu estudava em uma escola que ao lado tinha um dojo, achava massa os treinos e por algumas vezes gazeava aula pra assistir, me identifiquei com o KARATE, POIS sempre começa as coisas e não dava continuidade.

HaissaOs "brigões" realmente  agregam a um grande percentual dos inscritos no karatê e em outras artes marciais tmb, mas tmb existem as pessoas que buscam canalizar suas emoções e energia de forma que possam extravasar e foi ai que me encontrei no karatê. Assim como Flávio eu estudava na escola ao lado do Dojo e amei a ideia de me tornar uma atleta nas artes marciais

O que é um Dojô?

Haissa: É o local de treinamento. Consideramos o dojo sagrado e temos respeito por ele

Quem era Haissa antes das artes maciais e quem é agora?

Haissa: Kkkkkkkkk. Eu era muito pequena antes do karatê kkkk. Eu tinha 11 anos, mas sabia que eu poderia influênciar as pessoa que me rodeavam para o bem. Hoje o karatê me deu a oportunidade de influenciar crianças, jovens, adultos e idoso pro caminho do bem.


Quem era Flavio antes das artes maciais e quem é agora?

Flavio: Um jovem rebelde, revoltado da vida, achava que por ter sido criado sem pai tinha o direito de reclamar de tudo, achar que a vida para mim era mais difícil. Quando na verdade eu era igual a todo mundo, no Karatê eu me encontrei, tive a oportunidade de fazer novos amigos que se tornaram uma família pra mim. Passei a ser mais responsável e correto com as coisas do dia a dia

Como e de quem partiu a ideia de criar a Família ou Karaté Animal?

Haissa: Eu comecei a dar aula vinculada ao meu Sensei Manoel e sua academia (Askam). Na época eu era faixa roxa e tinha 16 anos. Aos 20 anos decidi  abrir a Academia Haissa Silva de karate em Recife. Do outro lado estava o Flávio com a Askafa. Quando nos casamos n fazia sentindo continuar com 2 academias diferentes, então decidimos fundar o Dojô Familia Animal.

FlavioMeu apelido no Karatê era animal, casando com Haissa seria a FAMÍLIA ANIMAL. Nosso professor se referia aos alunos os chamando de Animal. Todos eram animal! Carregamos isso como uma lembrança das nossas conquistas, lembranças dos treinos, puxões de orelha e o amor oferecido de forma bruta pelo nosso sensei. Por isso decidimos que continuariamos sendo Animal so que agora em Família. Somos a única academia que leva no nome a palavra família.

Como chegaram às cidades de São José da Coroa Grande, Barreiros e Magarogi. Falem-nos um pouco de suas caminhada até aqui. Suas lutas, dificuldades...

Flavio - Através de Dr° Aymar Mesquita, dentista da região. Passamos anos dando aula na rua, sem apoio, sem credibilidade. Era muito difícil, por muitas vezes faltou o alimento e coisas básicas, foi muito complicado ganhar espaço aqui na região, pois arte marcial era vista como coisa ruim. Até que as pessoas aceitassem nosso trabalho é visse que era sério, muita coisa aconteceu.

Como se conheceram?

Flavio: Éramos colegas de treino, crescemos juntos no Karatê, alunos do centro esportivo Santos Dumont em Boa viagem RECIFE.

Tiveram alguma dificuldade com este nome ou foram aceito naturalmente?

Haissa: Para alguns soam assustador, até medonho. Para alguns soam engraçado, pensam: Que povo doido são vcs viu?! Para outros soam fortes e o interesse é imediato. Mas hoje em dia posso dizer que a grande maioria ja é simpatizante   da Familia Animal

Flavio: Muito gente criticou sim e ainda hoje há quem não coloque seus filhos pra treinar por conta do nome.

Vocês hoje são reconhecidos como campeões e são detendores de troféus e medalhas. Podem falar um pouco destas vitórias? Tem alguma historia marcante em alguma conquista?

Flavio: Eu era muito indisciplinado, gostava de bagunça e tinha um estilo de luta diferente pra época , já saí diversas vezes escoltado do ginásio.

A arte macial já foi vista como arte marginalizada conforme lemos em histórias dos grandes mestres do Karate. Bruce Lee era tido como brigão. Mas teria usado sua arte parra canalização de energia transformando-se num dos grandes exemplos para o mundo. Hoje o que dizer deste movimento no mundo e qual a importância?

Flavio: As artes marciais mudam vidas, a disciplina aplicada hoje voltada para as competições, faz com que os jovens tenham mais foco.

Haissa: Uma vez eu disse que o karate tem sido o protagonista de muitos sonhos. Isso vai desde uma vida mais saudável, bolsas escolares, competições... O karate pode ser uma válvula de escape para aqueles que n encontram sentido em suas rotinas. O karate livra da marginalidade. O karate cansa o corpo e descansa a mente....

Enquanto eram alunos vocês obviamente tinham admiração por seus mestres. Muito aprenderam com eles e devem ser devedores deles. Podem citar algum de impactante que seus mestres lhes ensinou e o que pode ser levado à prática por seus ensinamentos?

Haissa: Tudo o que eu sei como sensei, eu aprendi com o meu sensei. Sempre que tenho a oportunidade eu o agradeço por ele ter se disposto a me ensinar, acreditar em mim e n duvidar do meu potencial. Além de me ensinar o que é tmb minha profissão.

Flavio: Praticar a caridade aos alunos carentes que não podem arcar com as despesas do KARATE.

Ao perceber que seu aluno, está querendo usar a técnica/ conhecimento do karatê, para aplica-lo de maneira errada, qual é sua postura?

Flavio: Uma boa conversa, orientando que a violência não leva a lugar nenhum.
Viver em paz é melhor do que estar com a razão.

Haissa: Nos treinos orientamos que nenhuma das técnicas devem ser usadas fora do dojo. Caso aconteça, conversamos mais uma vez e damos um aviso prévio à punição, que podem variar.

Alegrar-se com os bons resultados de seus alunos é bom e gratificante, mas com você reagi ao ver ou saber que aquele aluno(a) está usando seu conhecimento para o mal? Já aconteceu? Qual a maneira mais correta para tratar essa situação?

Flavio: Nunca, graças a Deus.

Haissa: Nunca aconteceu. Mas caso aconteça teriamos a postura citada na resposta 11ª

Já sofreram algum tipo de preconceito por serem lutadores de artes maciais?  Algo que possam falar?

Flavio: Até hoje, ao caminho do trabalho sempre um engraçadinho grita... Iaaaaaaai... Ou quer me bater, ou me chamam de Daniel San, ou xingam. Mesmo nos tempos de hoje há muito preconceito.

Haissa: Sim. Mas n ligo. Sei que no fundo a maioria tem pelo menos a curiosidade de saber do  que realmente se trata quando me vêem de kimono.

Conquistaram amigos e certamente alguns inimigos. Tem algo que possa nos falar. Sobre amor e ódio?

Flavio: Amigos eu conquistei demais, inimigos apenas uns 2 ou 3 que nem considero inimigos, são apenas pessoas frustadas que não conseguem subir um degrau de sua vida sem prejudicar alguém. Na região a família Animal é bem aceita, porém existe sim um ou dois grupos que fazem de tudo para atrapalhar nossa caminhada, mas a esses ofereço a outra face. O incrível é que alguns a Família Animal deu a mão e depois levou foi uma rasteira. Meu propósito e fazer o bem, isso sempre irá incomodar seres poucos iluminados.

HaissaYing Yang. Amor e ódio estão bem próximos um do outro. E em tudo a oposição.

Como conciliar artes maciais com religião? Não seriam conceitos antagônicos?

Flavio: Podem sim andar em parceria, inclusive é indicado! Somos mórmons e seguimos a palavra de sabedoria, a prática de esporte ajuda em vários pontos da vida. Seria ignorância um líder religioso ou qualquer denominação que seja proibir alguém de se cuidar, pois esporte é vida, seja lá qual for. Tudo com disciplina e decência.

Haissa: Sou membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e na minha religião somos ensinados a buscar qualquer coisa amável, louvável ou de boa fama, além de incentivar a prática de exercício físico. A única coisa ruim é porque as vezes precisamos ir pra campeonatos que ocorrem nos domingos que é o dia em que nos reunimos na igreja.

Karaté e política. Como vocês conjugam esta formula, combina?

Flavio: Karatê é Karatê, política è política! A política é algo muito importante para um cidadão, principalmente para a cidade em que se mora. Porém muitos não sabem fazer política.

Haissa, por Haissa?

Haissa: Haissa Almeida da Silva Barros. Nascida em 19/12/1990. SÃO PAULO. Filha de Nildo e Dona Marina. veio ainda muito nova para PERNAMBUCO, criada no Bairro do Jordão. Teve inicio a pratica do Karatê nos anos 2000


Flavio por Flavio?

Flavio: Flávio Henrique Soares de Barros. Nascido em 15/09/1987. RECIFE Filho de Noemia José e Carlos Geraldo, nascido no recife, quando pequeno morou a beira mar do JANGA, devido a separação de seus pais foi morar em Paulista, em seguida JORDÃO, em seguida VILA SOTAVE, bairro simples de jaboatão dos guararapes. Eu Flávio Animal como sou conhecido, tive todas as oportunidades do mundo para dar errado. Filho de uma mulher guerreira que tinha 3 empregos pra sustentar 3 filhos, mal parava em casa, criado em uma favela onde a criminalidade era algo fácil e acessível, sem uma orientação por parte de pai, criado pelos irmãos... Sofria Bulling por ter um irmão Homossexual, irmão esse que amo por ter me educado e me criado como seu FILHO. Haissa e eu iniciamos nos anos 2000 a prática do Karate. No centro esportivo Santos Dumont. Com o sensei Manoel Laurentino. Um dos motivos que eu decidi aprender KARATE, é que apanhava muito quando criança. A ausencia de um PAI me fez ter um apego ao meu Sensei Manoel Laurentino, que me guiou pelos melhores caminhos. pra mim ele foi mais que um SENSEI, foi um verdadeiro pai.