03 setembro 2018

Brasil acima de todos, Deus acima de tudo! Cristãos armados e se preparando para matar em nome do Messias.

Brasil acima de todos, Deus acima de tudo!
Cristãos armados e se preparando para matar em nome do Messias.

Quando se toca no quesito religião, alguns religiosos tendem à virar as costas à realidade bem como à razão, dizendo que o que importa é a fé. Mas o que vem à ser fé de verdade ante os tempos atuais? Estaria ela circunscrita à uma instituição religiosa, um templo esoterista, uma comunidade budista ou ela ultrapassa os muros da religiosidade?

Ha uma passagem bíblica que diz que a "fé é o firme fundamento de todas as coisas". Mas, será que aí está incluída também a fé cega e irracional? Quando pensamos e agimos sem razão estamos respondendo em nome de Deus, que à tudo vê e tudo sabe, segundo suas características que lhes são atribuídas como um ser divino que é onipresente, onipotente e onisciente?

Allan Kardec, codificador da doutrina espírita, tem uma frase, que abre a obra O Evangelho Segundo o Espiritismo em que ele diz que "fé inabalável é somente aquele que encara a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade". O que convém dizer que não devemos permitir cegar ou fechar questão em quaisquer situações que se nos apresente.

Há um candidato (não há necessidade de citar nome) que tomou para si o slogan, "Brasil acima de todos, Deus acima de tudo!" Os cristãos que seguem tal candidato tem usado essa frase como marco "honroso" falando, em nome de suas crenças particulares, de peito cheio o que seu líder lhes inspira. Não temos nada contra o cristão seguir outra pessoa que não seja o cristo, que dizem conhecer. Só estou aqui, nessas linhas, meditando um pouco, no que me é permitido fazer, enquanto ainda posso. Acredito piamente que com essa publicação, assim como já aconteceu com algumas outras que eu já escrevi, poderão dizer que sou anti-cristão, que "odeio religião", ou ainda (nada fora do que já ouvi ou li) que "estou falando em nome do demônio", contra os "filhos de Deus".

Alguns religiosos aparecem em alguns lugares fazendo "oferendas de sua fé" não ao Jesus-Cristo do livro bíblico, tido como sagrado, eles defendem com a bíblia em mãos aquele que (ao contrário da palavra do enviado de Deus que falava de amor, perdão, que lutava contra as injustiças) está fazendo o contrário, pelas redes sociais, em tempo de campanha eleitoral. 

Enquanto Jesus ensinava-nos à sermos contrários ao ódio e à pagar o mal com o bem, o "messias" dos tempos atuais tem ensinado à serem rápidos em odiar, tão e simplesmente, à força de uma fé cega, que tende à ser um entrave à razão. 

Sob o falácia de serem patriotas, alguns, baseados na fé cega, politica e social estão em busca de usar armas de fogo sob a implantação da ideia de estarem protegendo-se, e quem sabe, de limparem o crime com as próprias mãos, tornando-se homicidas, justiceiros sob a desculpa de defesa pessoal.

Enquanto falam de amor em suas cátedras, pretendem, repito, de armas em punho, fazer justiça com as próprias mãos. Esse é um dos ensinamentos, sob a desculpa de que o estado está falido e não há mais como nos proteger dos bandidos já que as forças armadas, a policia militar, a polícia civil estão desfaceladas, sem condições de combater o crime em nosso país, em todos os estados brasileiros.

Não há, porém, nenhum projeto para conter a violência e resolver a situação da segurança em nosso país, sendo assim, a melhor e mais viável saída para um deputado que passou mais de 27 anos no poder, e que não elaborou um plano ou projeto contra o crime em seu estado, a melhor alternativa e imediata é contratar à base de argumentos fáceis, cidadãos incautos, que usem armas para matar, sem pensar, mesmo que os futuros mortos sejam os bandidos ou criminosos, via de regra.

Segundo os defensores cristãos que defendem e esperam que seja liberado o porte de armas no Brasil, o espelho para o uso de armas de fogo são os Estados Unidos. Mas, o que eles certamente não sabem é que a questão do porte de armas nos EUA é um assunto cada dia mais polêmico e complexo.

Os EUA possuem o maior índice de mortes por armas de fogo quando comparados a qualquer outro país considerado desenvolvido. São mais de 283 milhões de armas portadas apenas por civis ao redor do país. A cada novo massacre ou caso de homicídio o debate sobre a implementação de leis mais rígidas para o porte de armas de fogo é reaberto. Atualmente, de cada 100 pessoas residentes nos EUA, 98 vivem a pelo menos 15 km de uma loja que comercializa armas de fogo. Essas lojas podem variar de tamanho e vão de pequenos outlets até grandes redes como o Walmart, maior vendedor de armas do país.

A lista de massacres é grande: Virginia Tech (32 mortes), Escola de Sandy Hook (27 mortes), Cinema de Aurora (12 mortes e 70 feridos), Igreja em Charleston (9 mortes), dentre muitos outros exemplos. Depois de mais de 180 tiroteios em massa nos últimos 10 anos, o tiroteio dessa semana novamente na Virgínia, onde uma repórter e um câmera Man foram assassinados por um ex-colega de trabalho em transmissão ao vivo na TV americana, reabriu o debate em relação à ampla disponibilidade de armas nos Estados Unidos. Atualmente é muito fácil comprar armas de fogo em praticamente todos os 50 estados norte-americanos.

Confira mais informações como esta acessando o portal Brasileiras pelo mundo, cujo assunto focado é Porte de arma de fogo nos EUA. (Acesse aqui).

Confira aqui um triste relato de um pai que perdeu um de seus filhos, nos Estados Unidos, no massacre que aconteceu na Escola de Sandy Hook. Os armamentistas tentam dizer que as 27 mortes acontecidas naquele dia, nunca aconteceu.

Mas, independente da fala que o deputado tenha, em que ganha adeptos entre os religiosos que deviam privar pela vida, o fato é que estamos vendo acontecer em nosso país uma verdadeira mudança de valores em que os religiosos, principalmente os evangélicos, estão prestes à ganhar as manchetes dos jornais policiais como os novos homicidas brasileiros. E como se entender isso? Como falar de amor, perdão, justiça enquanto está-se sendo guiados para o lado oposto? Não seria tal comportamento um desregramento psicológico com sinais patológicos de psicopatia? Estaria a justiça divina trabalhando por seus filhos colocando em nome deles armas de fogo para serem usadas por qualquer motivo, matando sob desculpa?

Ver pessoas usarem vários e vários argumentos á favor do uso de arma de fogo, pelos cristãos e ainda utilizarem versículos bíblicos para tentarem justificar-se, chega à ser um verdadeiro absurdo. Parece até que estamos regredindo ao invés de evoluirmos.

Um portal dito evangélico faz um verdeiro emaranhado ao tentar explicar, usando versículos bíblicos seu apoio às armas de fogo e do poder de matar, usando a desculpa de que o fiel de Deus deve se defender contra as forças inimigas.

O exército Israelita era um exército de milícia (Num 1:3ff.) que ia para a batalha com cada homem carregando sua própria arma – do tempo de Moisés, passando pelos Juízes, e além. Quando ameaçados pelos Midianitas, por exemplo, “Moisés falou ao povo dizendo, ‘Armai alguns de vós para a guerra, e que saiam contra os midianitas, para fazerem a vingança do Senhor contra eles'” (Num 31:3). Outra vez, demonstra-se a herança bíblica de carregar e portar armas, durante o tempo de Davi no deserto escondendo-se de Saul, “Davi disse a seus homens, ‘Cada homem cinja sua espada.' Então cada homem cingiu a sua espada, e Davi também a sua” (1 Sm. 25:13). (Confira aqui)

É lamentável que hajam pessoas inteligentíssimas para distorcer tudo à seu bel prazer com o fim de que faça suas vontades em detrimento daquele que tem como principal bandeira não guerrear, vivendo pela paz, conforme as palavras do mestre Jesus, quando disse "Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus" (Mateus 5:38-48)

Por outro lado quando homens incompetentes se põem à disputar cargos ou querer atuar num área que não tem capacidade para gerir e nem condições de apresentar um projeto que busque solucionar o problema da fome, da falta de educação, da miséria e da violência, matar (não por suas mãos, e sim pelas mãos de seus subordinados) é, certamente, sua melhor saída e para tanto oferece-se a arma para a prática fácil do homicídio, sem ter que necessariamente, sujar suas mãos diretamente com o crime.

Na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec nos trás, pelas palavras de um dos dos espíritos comunicantes a seguinte Instrução, intitulada A VINGANÇA.

A vingança é um dos últimos remanescentes dos costumes bárbaros que tendem a desaparecer dentre os homens. É, como o duelo, um dos derradeiros vestígios dos hábitos selvagens sob cujos guantes se debatia a Humanidade, no começo da era cristã, razão por que a vingança constitui indício certo do estado de atraso dos homens que a ela se dão e dos Espíritos que ainda as inspirem. Portanto, meus amigos, nunca esse sentimento deve fazer vibrar o coração de quem quer que se diga e proclame espírita. Vingar-se é, bem o sabeis, tão contrário àquela prescrição do Cristo: “Perdoai aos vossos inimigos”, que aquele que se nega a perdoar não somente não é espírita como também não é cristão. A vingança é uma inspiração tanto mais funesta, quanto tem por companheiras assíduas a falsidade e a baixeza. Com efeito, aquele que se entrega a essa fatal e cega paixão quase nunca se vinga a céu aberto. Quando é ele o mais forte, cai qual fera sobre o outro a quem chama seu inimigo, desde que a presença deste último lhe inflame a paixão, a cólera, o ódio. Porém, as mais das vezes assume aparências hipócritas, ocultando nas profundezas do coração os maus sentimentos que o animam. Toma caminhos escusos, segue na sombra o inimigo, que de nada desconfia, e espera o momento azado para sem perigo feri-lo. Esconde-se do outro, espreitando-o de contínuo, prepara-lhe odiosas armadilhas e, em sendo propícia a ocasião, derrama-lhe no copo o veneno. Quando seu ódio não chega a tais extremos, ataca-o então na honra e nas afeições; não recua diante da calúnia, e suas pérfidas insinuações, habilmente espalhadas a todos os ventos, se vão avolumando pelo caminho. Em conseqüência, quando o perseguido se apresenta nos lugares por onde passou o sopro do perseguidor, espanta-se de dar com semblantes frios, em vez de fisionomias amigas e benevolentes que outrora o acolhiam. Fica estupefato quando mãos que se lhe estendiam, agora se recusam a apertar as suas. Enfim, sente-se aniquilado, ao verificar que os seus mais caros amigos e parentes se afastam e o evitam. Ah! O covarde que se vinga assim é cem vezes mais culpado do que o que enfrenta o seu inimigo e o insulta em plena face.

Fora, pois, com esses costumes selvagens! Fora com esses processos de outros tempos! Todo espírita que ainda hoje pretendesse ter o direito de vingar-se seria indigno de figurar por mais tempo na falange que tem como divisa: Sem caridade não há salvação! Mas, não, não posso deter-me a pensar que um membro da grande família espírita ouse jamais, de futuro, ceder ao impulso da vingança, senão para perdoar. – Júlio Olivier. (Paris, 1862)

De minha parte, na qualidade de cristão e espírita não entro nessa vibe de querer usar arma qualquer que seja, mesmo sob a desculpa de me defender, tão pouco de me vingar. Não sou policial para andar armando, ainda menos criminoso, e nosso país não vive mais sob o jugo dos tempos antigos em que os coronéis nos interiores do Brasil orgulhavam-se de portarem armas ás suas cinturas cometendo vários crimes, muitos pelos quais, nunca foram julgados.

O que hoje encontramos em nosso país não representa progresso e nem evolução, antes, à bem da verdades, estão fazendo oferendas á deuses homicidas e genocidas, ansiosos por matanças e mais sangue em praça pública sob as bençãos do senhor da morte.