26 agosto 2018

Todo médium é espirita?

Psicografia, uma função mediúnica muito usada nos Centros Espíritas.
Há uma enorme contradição nas pessoas que dizem que fulano é espírita pelo simples fato de eles ou elas comunicarem-se com espíritos. No popular, dizem que fulano que "recebe espírito" é espírita. Ou, ainda dizem que ele tem um "santo forte", ou que é um "espírita forte", por que "vem lá da Bahia". Mas, essas colocações estão certas? 

Tenho o costume de dizer à amigos e amigas que "todo espírita é espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita!".

Vamos por partes para que possamos entender, nessas pequenas linhas, desse post sobre espiritualidade e mediunidade.

O que é espiritualismo e quem pode ser considerado espiritualista?

Espiritualismo é a crença na vida após a morte. Ou seja, todo aquele que acredita que exista algo além da matéria que conhecemos, é por definição, espiritualista.

O espiritualista acredita que sua alma ou espírito, sobreviverá após o falecimento de seu corpo. 

A vida além dessa vida comum pode continuar à existir num "céu vindouro", numa terra após o fim do mundo, em uma época qualquer, ou num mundo extra-físico.

Quais religiões são espiritualistas? 

Todas! Se você é católico, protestante, hinduísta, xintoísta, taoista, budista, esoterista, espírita, umbandista, etc... sem sobra de dúvidas, você é espiritualista! Por que acredita numa existência de vida além da vida material.

Quem são e como pensam os espíritas?

O espírita, por sua vez, é o seguidor de uma doutrina filosófica e científica, condificada por um pedagogo, mais conhecido como Allan Kardec, nascido em 1804, em Lyon, na França.

A partir de eventos em que mesas e objetos balançavam por ação de um agente externo, estudiosos concluíram que existia alguma coisa além da matéria. Mediante estudos apurados, com participação de algumas pessoas dotadas de uma sensibilidade que lhes eram estranhas ao corpo, tais estudiosos, juntamente com Allan Kardec, obtiveram falas e comunicações em que os agentes comunicadores diziam-se ser espíritos.

Em suas comunicações eles diziam já terem vivido entre os vivos e identificaram-se com nomes, lugares, apontando até aonde foram suas últimas existências. Ou, segundo a fala dos espíritos, encarnações. O que convém à dizer que antes da condição de espíritos eles ocupavam um corpo de carne. Em outras palavras, nós que estamos no mundo, os vivos, estamos ou somos encarnados.

Á partir de então, foi criada, com a publicação de O Livro dos Espíritos, a doutrina dos espíritos ou o espiritismo.

Na introdução de O Livro dos Espíritos, encontramos uma ótima definição de Kardec:

Espiritismo e espiritualismo.

Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras.


Os vocábulos: espiritual, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida. Dar-lhes outra, para aplicá-los à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de anfibologia.

Com efeito, o espiritismo é o oposto do materialismo. Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. 

Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que vimos de referir-nos, os termos espírita e espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que lhe é própria. 

Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas. 

Como especialidade, o Livro dos Espíritos contém a doutrina espírita; como generalidade, prende-se à doutrina espiritualista, uma de cujas fases apresenta.

Essa a razão porque traz no cabeçalho do seu título as palavras: Filosofia espiritualista.

Ou seja, se pararmos um pouquinho para refletir vamos encontrar explicações bastante definidas informando que o espiritualismo já é pré-existente à doutrina dos espíritos. O que convém dizer que o fato de uma pessoa dizer-se espiritualista não implica em dizer que seja espírita, mas que é forçoso afirmar que todo espírita é espiritualista, por acreditar que exista vida consistente além da morte, ou em outras palavras, além da materialidade, ou mundo material.


Médium e mediunidade.



A mediunidade é a faculdade que uma pessoa tem de ter visões ou sensações que são alheias à vida material. E dentro dessa possibilidade há a de comunicar-se com pessoas ou entidades que não mais participam da vida humana. Essas entidades comunicantes são os chamados espíritos, que vivem no mundo espiritual. 

O fato de comunicar-se com seres de outras esferas, além da matéria é assunto tratado em todas as crenças e religiões, desde as mais recentes às mais antigas, fazendo parte de todas as nações bem como em todas as formas religiosas.

Mas, convém perguntar, ainda: todo médium é espírita? 


A resposta é a mais simples possível que possa-se dar: Não! 

Para quem é fã dos escritos bíblicos encontrará histórias de comunicação entre os dois mundos em diversas partes do livro tido como sagrado, desde o velho testamente até o último livro, o Apocalipse, no novo testamento. 

Basta fazer uma leitura atenta e encontraremos citações de comunicações com os anjos, os arcanjos, etc... assim como também encontramos aquele caso entre Saul e Samuel, na conhecida história da pitonisa de Endor (que não vejo necessidade de repetir aqui por acreditar que o texto é já bastante conhecido).

Este por sinal é um dos calos tremendos nos pés e mãos dos religiosos cristãos, católicos e protestantes, que inventam milhões de situações para "apagar essa cena" clássica inserida nos escritos bíblicos. 

Vez por outra passam á dizer que há proibição da comunicação entre os dois mundos e que supostamente por isso, Deus condenaria o intercâmbio mediúnico, já que consta um veto na lei de Moisés, mas esquecem de anunciar que as leis mosaicas não são leis de Deus. E que não foi Ele quem fez e nem escreveu tais ordenanças. Mas isso é assunto para um outro momento. 

No entanto, o que precisa-se saber é que só se proíbe o que existe. E neste caso, se o intercâmbio entre os dois mundos não existisse, Moisés não seria louco de proibir algo inexistente.

Mais ainda referindo-se à esse caso de Saul e Samuel, com a pitonisa (vidente) de Endor, consta aí um caso bíblico, comprovado de que a mediunidade não é um fator recente e nem de exclusividade do espiritismo.

Há na doutrina dos espíritos o conhecido O Livro dos Médiuns, publicado por Allan Kardec, em que o pedagogo já citado, faz referência à essa faculdade tida por alguns grupos como extraordinária, mas, que, segundo ele, faz parte de nossas funções orgânicas não sendo também um assunto novo. Antes, à bem da verdade, a mediunidade é tratada por nesse livro de maneira cem por cento natural, estudada à luz da razão, ou como queiram falar, à luz do espiritismo.

A mediunidade é tratada por diversos nomes, segundo as ideias das diversas religiões e credos. Uns, trocam a palavra médium por videntes, feiticeiros. Outros, mais ligados aos cultos protestantes chamam de profetas. Já no catolicismo é conhecida como sensitivos.

Há médiuns nas igrejas protestantes (evangélicos), quando dizem que estão recebendo "o poder do espírito santo". Na igreja católica, quando dizem estar recebendo visões dos "santos anjos" dos "santos católicos" entre outros casos. Há mediunidade quando há "curas" espirituais, mesmo que tais situações estejam mais ligadas à condição magnética. O magnetismo é assunto para um outro momento, se oportunidade tivermos.

Mas como afirmar que o médium não é espirita se todos falam quase que uníssono que são?

Pelo simples fato de que a doutrina dos espíritos ainda não é aceita ou acatada por integrantes dos demais seguimentos religiosos.

Integrantes da Umbanda, Quimbanda, Candomblé, são espíritas? 

No contexto geral é inteligente afirmar que não. Já que o espiritismo, segundo o conceitos expressos nos livros espíritas não tem parte alguma com as práticas religiosas aplicas pelos que frequentam tais grupos religiosos. 

Isso não quer dizer que não respeitamos nossos irmãos de outros seguimentos, e sim que não temos nenhuma ligação com eles assim como não temos com nossos irmãos protestantes ou católicos, a não ser pelo fato de que todos nós somos espiritualistas.

Portanto, para resumir essa conversa escrita, posso afirmar que todos os espíritas são por definição única, espiritualistas, mas nem todos os espiritualistas são espíritas, por não abraçarem a causa, estudos e conhecimentos inscritos dentro do espiritismo ou doutrina dos espíritos.

Também podemos dizer que há médiuns espíritas, mas nem todos os médiuns são espíritas, por ser esta uma faculdade independente de crença ou religião!

A mediunidade, finalizo afirmando, está em todos os credos e até fora dos credos religiosos, e ser médium não liga à pessoa ao espiritismo, este, à bem da verdade, estuda tal faculdade à luz de seus conhecimentos, fazendo com que se entenda como controlar, cuidar, viver mediunicamente tal faculdade, sem medo.