15 março 2018

Matar o negro no Brasil é muito fácil!


O Negro no Brasil ainda tem sobre sí a estigma de ser tratado ou visto em segundo plano. Apesar de dizerem, falsamente, que em nosso país não existe preconceito.

Após a abolição da escravidão, o negro que era servidor braçal nas fazendas passou à residir e ocupar espaço nos guetos e periferias. Aqui no Brasil tais lugares são chamados de favela. Depois de algumas lutas a favela passou à ser chamada de comunidade. O que mudou? Apenas o nome já que as condições de vida nesses lugares não teve muita mudança até então.

Desde que passou à entender que a negritude merece ter voz o povo negro invadiu os espaços aonde os brancos, apenas brancos, davam as ordens.

Hoje o negro é motorista, delegado, juiz, político, vereador, jornalista e blogueiro. Não existe apenas um espaço, o negro no Brasil está em todos os lugares. Não por que o povo branco permitiu, mas pela ousadia de ser negro, ter força e garra, por suportar as intempéries da vida como tem que ser.

Mas, apesar de tantas conquistas, apesar dos pesares, as estatísticas comprovam que os homicídios, tentativas de homicídios, os detentos, os desempregados, entre outros, estão concentrados em mais de 75% entre o povo negro.

A classe negra ainda é vista de maneira ardilosamente criminosa. Somos ainda a escória de nossa sociedade, exclusivista e seletiva. E por conta dessa visão estreita e mesquinha, nós, os negros ainda temos dificuldade de alcançar lugares de respeito tal qual respeitamos nossos irmãos, os brancos. Sim, porque se de nosso lado enxergamos todos sem cores, do outro lado nossa cor incomoda.

Para a sociedade brasileira, e essa é uma triste realidade, matar negro no Brasil é muito fácil!

Se o negro se meter à alertar seus irmãos que existe corrupção numa cidade pequena como Barreiros, interior do estado de Pernambuco, por exemplo, o resultado é tentativa de homicídio, e depois de tudo, nenhuma investigação do caso, já que os delegados que estavam à frente da delegacia eram brancos.

Se o negro se meter à falar abertamente do que acontece na cidade de escada, por exemplo, também, interior de Pernambuco o resultado final é a morte. Assim como aconteceu com o radialista e blogueiro, J. Cosmo, no ano de 2015 morto três meses depois da tentativa de homicídio contra o blogueiro de Barreiros.

O que estes casos tem em comum? Os blogueiros tratavam abertamente dos crimes contra o erário público; os contratantes de suas mortes eram políticos; seus casos até o dia de hoje não tiveram nenhuma novidade, nenhuma descoberta, nenhuma investigação por parte da justiça que deveria fazer o seu papel sem exclusão.

Com relação à morte da vereadora Marielle Franco, que foi executada ontem, no Rio de Janeiro, há fortes indícios de ter sido morte contratada. O que ela tem em comum com o Blogueiro de Barreiros ou o Blogueiro de Escada? Ela é negra, e lutava para que o povo negro tivesse mais espaço em nossa sociedade brasileira.

Se você duvida que a motivação das mortes ou tentativas de mortes de blogueiro negro tenham envolvimento político, basta analisar todas as manchetes que são expostas, todos os dias, nas redes sociais, nas mídias oficiais ou alternativas.

O negro ainda é uma marca registrada diária, cuja situação é relegada à segundo plano por aqueles que nos consideram a escória de nossa sociedade.

Mas não basta reconhecer que somos descriminados, temos que unir mais forças contra as injustiças que todos os dias ainda sofremos. Não ha motivo algum para nos calar, ante os descasos que ainda estamos vivendo e somos vítimas.

Não devemos nos colocar, apenas, na condição de vítimas. Temos que continuar batendo, forte, contra todos os criminosos que ainda nos vêem de maneira preconceituosa. Sim, por que preconceito é crime!

Outras mortes ainda se darão contra o povo negro? Sim, muitas, temos que entender disso mas não baixar nossas cabeças.

A doença deles contra nós, um dia, terá que ser curada!

Só vamos conseguir mudar a triste realidade deles contra nós, conquistando espaços, mais e mais, em todos os lugares. Nas escolas, nas ruas, campos, construções, conforme a música.

Nós somos muito mais do que nossa cor!