21 abril 2018

A mente "tumultuada" de quem acredita cegamente em Bolsonaro

Eles se "emocionam" com o hino nacional, a bandeira, o superávit primário, e se revoltam quando a TV mostra que o Brasil vai mal. No fundo, são capazes de sentir por toda aquela gente pobre, preta, com opções sexuais fora do normal ou comunistas.

Eles tem certeza, certeza absoluta, "garantida por Deus", de que na maioria são doentes que não merecem ser fuzilados, que precisam apenas de tratamento, da leitura de Olavo de Carvalho ou de deixar de ser vagabundo. Gente que foi dominada por uma conspiração diabólica, comunista, bolivariana, gayzista, feminazi que se instalou na América Latina e se reúne no Foro de São Paulo, entre MacBooks e camisas do Che Guevara.

Como no desenho animado, o plano dessa organização é dominar o mundo. E já tentam isso há um bom tempo, ao menos desde 1964, quando o cenário era bem parecido, mas os militares nos salvaram.

Hoje esses militares ainda são homenageados por outros mais jovens, que tem certeza de que devem ajudar a salvar o Brasil outra vez, como fizeram os revolucionários aposentados do regime presidencialista militar.

A história pode ser recontada de muitas formas, mas as ditaduras do Foro de São Paulo proíbem professores de dar aula, só por eles compartilharem de outras visões da história.

O professor catarinense com a suástica desenhada na piscina é perseguido há muitos anos.

Não chegou ainda a ser preso, mora numa bela casa com piscina, mas sofre muito por ver a pátria amada e idolatrada nas mãos do Foro de São Paulo.

Prender o professor ou caçar o mandato do deputado Bolsonaro são assim tentativas de exterminar a velha serpente revolucionária militar nacionalista conservadora. Exemplos de que o Foro de São Paulo não admite a existência da direita mais radical.

A direita que vai à raiz dos problemas, como no desenho animado ou nas pool parties neonazistas em Santa Catarina.

De gente que acredita que o assassinato, a tortura ou o estupro de seres humanos pode ser justificável. Que tem certeza de que bandido bom é bandido morto, mas é melhor bandido do que transexual, judeu, negro ou qualquer outra identidade, governo ou ideologia que aprenderam a odiar no momento.

Pessoas que tem certeza de serem corretas, guardiões da moral e dos costumes. Que tem pavor de mudanças que podem lhes tirar privilégios, “direitos adquiridos”, ou mudanças de pensamento.

No fundo, são pessoas bastante simples, mutiladas por ideologias que simplificaram a realidade ao ponto dela se tornar insuportável. E então, nas horas vagas, babam de ódio. À procura de culpados, à espera de um salvador e cheios de boas intenções.

Conveniência, emulação, simpatia e analogia, os códigos fundamentais da semelhança. A dialética do esclarecimento para impedir que Auschwitz se repita.



Texto de Leonardo Mendes, transcrito de Diario do Centro do Mundo.