22 junho 2014

LAVO AS MINHAS MÃOS

Punir com ferro que foi ferido é responder na mesma intensidade a ofensa. No dizer de JAUCOURT (Luís De Jaucourt/ erudito Francês do século XVIII), sobre a pena vingativa, afirmava ele, “É um fenômeno inexplicável a extensão da imaginação dos homens para a barbárie e a crueldade.” Nos tempos remotos da História humana, a prática do LEX TALIONIS( Lei De Talião), previa a justiça feita com as próprias mãos ou que o revide não ultrapassasse a medida da ofensa. Nesse universo de mundo onde o corpo e a alma eram separados, a matéria não passava de um invólucro, enquanto o espírito era de domínio divino. Dizia-se na antiguidade que a VINDICTA ou vingança deveria ser proporcional à agressão.

A Bíblia fala claramente de “ Olho por olho dente por dente. “ Esta no livro do LEVÍTICO; 24: 10-23(PECADO E CASTIGO) “ Quem mata um homem, torna-se réu de morte. Quem matar um animal deverá dar uma compensação: Vida por vida. Se alguém ferir seu próximo , deverá ser feito a ele aquilo que fez ao outro: Fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. A pessoa sofrerá o mesmo dano que tiver causado a outro: Quem matar um animal deverá dar uma compensação por ele, e quem matar um homem deverá morrer. A sentença será sempre a mesma, quer se trate da nativo, quer de imigrante...” Em Deuteronômio , 19,21, o autor sagrado é igualmente incisivo: “ Não tenhas piedade dele: Exigirás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.” Isso foi no tempo em que religião e Direito se confundiam. O homem era criação divina, portanto, uma agressão ao homem era considerada uma ofensa a Deus. 


Hoje a prática de lavar as mãos a violência vingativa é um retorno a escuridão civilizatória. Quando festejamos o ato bestial de alguém que faz sua própria lógica de justiça, estamos fazendo apologia ao olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé. Uma sociedade sem senso racional que reverencia sua própria crueldade, expondo em espetáculo sua atitude desprezível, nega o principio maior da convivência social, que é o respeito à vida.

Quando um indivíduo da sociedade é respeitado no meio social pela sua brutalidade feroz, está-se festejando um canalha que nega até seu próprio direito de vida .Vivemos em um contrato social, onde as regras foram estabelecidas por nós ,onde o convívio harmônico foi assinado por nós, onde o binômio Direito/Dever foi consagrado pela sociedade .Convivemos hoje com a banalidade da vida ,mata-se por qualquer coisa, viga-se por coisas fúteis,nega-se constantemente a ordem civilizatória. No passado, ainda que cruel esse ato, ainda que fosse uma lei do homem, estávamos no Gênesis da evolução social. Hoje o que se observa na sociedade é binômio vida / banalidade. Negar o convívio pacifico ordeiro e legalista da sociedade, é molhar as mãos nas águas sujas da bacia de Pilatos.

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Escrito por César Oliveira em seu perfil pessoal no facebook e 
transcrito à este blog por estar o mesmo em acordo com o que pregamos dia e noite em nossas postagens.